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Maratona da Bunda Limpa

Ouço de muitas pessoas que o motivo pelo qual elas fazem atividades físicas é conseguir limpar a própria bunda na velhice. Eu não tô longe. Cada abdominal que eu faço, penso "isso sou eu conseguindo levantar da cama aos 85 anos sem ajuda". E sim, tem verdade nisso, mas vamos ser sinceros - as razões vão além. Meus motivos de fazer atividade física são divididos da seguinte forma:  - 12% pra ter saúde na velhice - 20% pra gastar uma energia que de outra forma seria investida no descaralhamento da minha cabeça - 60% pra tirar fotos em que meu braço parece grande, postar, receber um foguinho de alguém que suscite meu apetite sexual e depois não fazer nada a respeito porque eu sou recatado (jacu) - 8% para vingança De qualquer forma, se o objetivo de fazer exercícios agora é reduzir agruras na terceira idade, precisamos de tanto esforço assim? Eu realmente preciso fazer agachamento búlgaro só pra conseguir limpar a minha vindoura poupança?  Acho possível bolar um plano de treino ...
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Ano passado eu morri

Não posso falar do final desse ano sem mencionar como ele começou. Em 31 de dezembro do ano passado, eu e meu então companheiro organizamos uma festinha de ano novo - dessa vez mais caprichada do que nos anos anteriores, com balõezinhos, mesa arrumada e vários convidados no terraço do prédio dele. Na hora dos fogos da meia-noite, eu saí a procura dele na festa. Ele abraçava os convidados, enquanto eu esperava na fila pra brindarmos juntos. Eu sei que parece coisa pouca, mas as coisinhas poucas demonstram o estado das coisas grandes, e naquele momento eu entendi tudo: que eu não era a primeira pessoa que ele queria abraçar, que se eu puxasse pela memória já fazia muito tempo que eu não ganhava um abraço espontâneo, e que não fazia mais sentido eu estar ali. Enquanto assistia os fogos, meu primeiro pensamento de 2025 foi "eu não vou estar aqui no ano que vem". Bateu como uma certeza, um soco no ventre que me disse, nos primeiros segundos do ano, que esse seria diferente dos últ...

Adolescente e bobo

Tem coisas que a gente lê e não imagina que vão repercutir na gente pelo resto da vida. Justamente por não ter antecipado isso, não faço ideia de em qual livro vi esse relato clínico que eu nunca esqueci. Um homem, divorciado e por volta dos seus cinquenta anos, procurava um psicólogo porque estava tendo sentimentos muito estranhos para ele. Depois de muito tempo sem uma conexão afetiva, ele começou a se envolver com uma mulher que conheceu em seu trabalho.  "Você sente que está obcecado por ela?", perguntava o psicólogo, "ou que os pensamentos a respeito dessa relação estão lhe botando em perigo?" "Não, é só uma paixão normal. Eu penso nela durante o dia, dou um sorriso bobo quando leio uma mensagem, imagino ela comigo antes de ir dormir..." "E isso é um problema pra você?" "Eu tenho cinquenta anos! Eu estou me sentindo como um adolescente. Eu já passei por relacionamentos que deveriam ter me ensinado a não cair nessa história mais uma vez....

Você está sozinho sim

 Sabe o que eu queria? Estar parado num semáforo com um cartaz escrito "Setembro amarelo - você não está sozinho", distribuindo Sonho de Valsa, acreditando sinceramente que alguém vai pular menos da ponte por conta disso. Mas eu saberia que um Sonho de Valsa não mantém ninguém vivo por muito tempo. Que a pessoa com o papelzinho nas mãos está sozinha sim, não necessariamente por falta de com quem conversar, mas por estar profundamente mergulhada na sensação de que não adianta, não merece ou não saberia usar desse recurso.  Mas a pessoa está sozinha sim, e me parece covarde tentar consolar alguém com uma mentira.  Você sabe o quanto está, de fato, sozinho quando se vê sem amigos por perto numa noite particularmente difícil em que as distrações não são potentes o suficiente para calar um pensamento cruel.  Você sabe o quanto, mesmo com uma noite de sono e a promessa de um novo dia, acordar pode parecer uma condenação a carregar o fardo de viver por mais vinte e quatro h...

Balada da Arrasada

 Precisamos fazer uma distinção muito importante. Doido é doido, louco é louco, e um é muito diferente do outro. O louco é o maluco, esses estão na mesma categoria. Eles tem transtorno, eles tem diagnóstico e eles tem tratamento. Os loucos merecem respeito e esse texto não é sobre eles. Agora, o doido é outra história. O doido é aquela pessoa que, em posse de plenas faculdades mentais, toma as decisões mais estapafúrdias possíveis: larga relacionamentos estáveis em busca de emoção, puxa briga com quem discorda dela, torce pro Paraná Clube... Inclusive acho que uma pessoa pode pertencer às duas equipes. Eu, por exemplo, sou um pouco louco (porque tenho laudo), mas também sou doido (acredito na melhora do humanidade pela educação). -- O único tipo de texto que eu não enrolo pra escrever é obituário. É impressionante como a morte me motiva. Dessa vez quem vestiu o paletó de MDF foi a Angela Ro Ro. Essa sim, um belo exemplar de doida.  Eu fico triste por ela, sim, mas fico triste ...

Chivas Regal

 Tô até com vergonha de começar o rascunho de mais um texto. Quando eu abri o aplicativo de notas em que eu escrevo, vi pelo menos uns quinze abortos recentes de ideias que eu tive, cheguei a rascunhar e não terminei.  Talvez isso não seja um problema. Não existe muita vantagem em fazer as coisas até o fim. É quando as coisas terminam que os problemas começam.  Se eu pensei, elaborei, cheguei no ponto que eu queria e ninguém ficar sabendo, isso não tá bom? É a satisfação do meu sonho gordinho de mastigar sem engolir, sentir o sabor e nunca engordar.  Eu nunca tive vergonha de *não* publicar um texto.  Mas de me expor? Quantos pensamentos de "não devia ter feito isso", "fulano deve ter achado isso ridículo", "que piada mais batida...". Dando corda pra isso que fiquei com a gaveta cheia de rascunhos.  Me poupei de uns dramas mas... Uma masturbação sem gozo até te poupa de limpar a sujeira depois, mas vale de quê? -- Eu queria matar o Luís Fernando Veríssimo....

Fimose facial

  Depois de quase dois meses, agora que começo a ver os resultados de uma cirurgia plástica que fiz na cara. Não é a minha primeira, fiz uma baciada de procedimentos aos 30 antes desse agora aos 35.  Minha ideia é reformar alguma coisa de cinco em cinco anos até me transformar completamente num pneu remold. Até agora, nem foi tanto por vaidade. Eu nasci com uma quantidade excessiva de pele no rosto. Não precisava tanto. Veio com sobra pra fazer uma cortina e um tapete. Amigos me perguntavam se eu estava com sono. Professores me perguntavam se eu estava dormindo. Pessoas na rua perguntavam quem foi que perdeu um sharpei.  De tanto forçar a testa pra levantar as pálpebras e mostrar os olhos, fiz uma ruga de fora a fora que meus amigos carinhosamente apelidaram de "bocetão".  Foi um luto geral quando, num primeiro procedimento, fiz um preenchimento nele como uma prefeitura faz uma operação tapa-buraco. Depois, fiz uma cirurgia chamada castanhares, em que eles tiram um b...